Rondônia

RO 07/05/2019 10:01 G1 | Postado por Izabella Coelho - DRT 1587/RO

Jovem vende água no sinal vestido de garçom após ficar desempregado em Cacoal

Lauro Costa Kloch, de 26 anos, usa toca, luva e até um balde com gelo para acomodar o produto. Atualmente ele mantêm o sustento da família com a venda das águas.

As dificuldades enfrentadas pelo autônomo Lauro Costa Kloch, de 26 anos, morador de Cacoal (RO), município a 480 quilômetros de Porto Velho, o ajudou a ter uma ideia criativa e inovadora para superar o desemprego. Após se recuperar de um acidente de trânsito que afetou a mobilidade, Lauro não conseguiu um novo emprego.

Diante disso, ele usou a internet para encontrar uma solução. Hoje, o rapaz é conhecido como o garçom que vende água mineral no sinal da Sete de Setembro. Isso porque para fazer o trabalho, se veste com uniforme de garçom, usa toca, luva, bandeja e até um balde com gelo para acomodar o produto.

Atualmente é Lauro que mantêm o sustento da família com a venda das águas. Cada garrafa de 500 ml é vendida no valor de R$ 2. E o trabalho vem agradando os motoristas que passam pelo local diariamente.

Ideia do jovem vem agradando motoristas, que até tiram foto com o rapaz.  — Foto: Magda Oliveira/G1

Além disso, muitas pessoas tiram fotos com Lauro e postam nas redes sociais elogiando o trabalho. O motorista Odemir Souza Barbosa, por exemplo, avalia a ideia como inovadora.

"Esse é um trabalho criativo, algo que não existia em Cacoal. É muito bom chegar na cidade nesse sol quente e encontrar alguém vendendo água sem a necessidade de procurarmos um comércio ou descermos do veículo para termos que comprar", elogiou Odemir.

Segundo Lauro, ele e a família moravam em Ji-Paraná onde mantinham uma distribuidora de bebidas.

Com a venda de água, Lauro Costa Kloch consegue sustentar a família, que se mudou para Cacoal para ajudá-lo.  — Foto: Magda Oliveira/G1

Porém, no Natal de 2016, a vida de toda a família foi transformada, após o jovem se envolver em um acidente de trânsito, bater a cabeça, quebrar uma das pernas em dois lugares e os dois braços. Ele precisou passar por quatro cirurgias.

"Fiquei cerca de sete dias na UTI [Unidade de Terapia Intensiva] em Cacoal e 32 dias internado. Mas mesmo após sair do hospital, meu tratamento continuou e durante todo o ano de 2017 precisei retornar ao hospital para acompanhar minha evolução, pois o acidente me tirou os movimentos das pernas", recordou Lauro.

Para acompanhar o tratamento do filho, os pais de Lauro e o irmão mais novo largaram tudo em Ji-Paraná e foram morar em Cacoal com objetivo de facilitar as revisões.

Jovem tem sempre o apoio da mãe e do pai, que mudaram a vida para ajudar o rapaz após ele sofrer um acidente em 2016.  — Foto: Magda Oliveira/G1

Em 2018, a família passou por outra mudança, sendo necessário ficar um ano no interior de São Paulo para que Lauro passasse por uma fisioterapia mais completa e recuperasse os movimentos dos membros inferiores.

Somente no final do ano passado que a família conseguiu retornar para Cacoal, quando Lauro já havia recuperado todos os movimentos.

"O acidente do Lauro transformou a vida de toda a nossa família. Nós tínhamos uma vida instável em Ji-Paraná, mas para cuidarmos dele foi preciso vender a casa. Ele perdeu a moto e tivemos que passar esse período de recuperação nos revesando para cuidar dele", contou a mãe do rapaz Maria José Costa Leão.

Lauro faz questão de se vestir como garçom: para ele, trabalho é visto de forma positiva se vestindo dessa forma.  — Foto: Magda Oliveira/G1

Quando a família retornou para Cacoal, Lauro espalhou currículos em vários comércios da cidade, mas não era chamado para nenhuma entrevista. Ele estava ficando desesperado, pois sempre teve facilidade para trabalhar. E foi esse desespero que levou o jovem a pesquisar na internet soluções inovadoras para pessoas desempregadas.

"Eu comecei a assistir uns vídeos e encontrei um palestrante que dava dicas de como superar a crise e o desemprego. Vender água no sinal era uma das ideias dele, e o palestrante dizia ainda: caso tenha vergonha, é porque a crise não está no país, mas dentro de você", lembrou o empreendedor.

Mas Lauro não parou apenas na ideia de vender a água. Ele continuou pesquisando para saber como as pessoas faziam esse trabalho nos grandes centros e descobriu que caso vendesse a água uniformizado, o trabalho seria visto de forma positiva.

Lauro vende água todos os dias em sinal de Cacoal.  — Foto: Magda Oliveira/G1

"O uniforme passa uma imagem de limpeza, profissionalismo e é isso que estou vendendo. Não é só água, mas o respeito que tenho com os clientes, educação. Além disso, recuperei minha dignidade como profissional. Nunca roubei, sempre fui um trabalhador e mesmo após o acidente queria recuperar essa autoestima em mim. Vender água no sinal está me proporcionando isso", destacou Lauro.

Nem o sol escaldante de Cacoal impede Lauro de seguir com o trabalho e o sonho de abrir um negócio próprio e talvez fazer uma faculdade de administração.


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