Política

Suspeita de corrupção 08/12/2018 13:06 O Globo

Oito funcionários fizeram depósitos em conta de ex-assessor de Flávio Bolsonaro

Segundo relatório do Coaf, Fabrício Queiroz teve movimentação atípica de R$ 1,2 milhão entre janeiro 2016 e janeiro do ano passado.

Relatório do Coaf aponta que o ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), senador eleito pelo Rio, recebeu depósitos em espécie e por meio de transferências de oito funcionários que já foram ou estão lotados no gabinete do parlamentar. De acordo com o documento, anexado às investigações da Operação Furna da Onça, o subtenente da Polícia Militar Fabrício José de Carlos Queiroz teve uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão de 01/01/2016 e 31/01/2017.

Uma das filhas do PM, Nathalia Melo de Queiroz estava lotada no gabinete de Flávio até dezembro de 2016, com salário de R$ 9.835,63. No período relatado pelo Coaf, fez depósitos que totalizaram R$ 84.110,04 e ­ transferência de R$ 2.319,31. Depois que saiu do gabinete de Flávio, Nathália foi funcionário do presidente eleito Jair Bolsonaro na Câmara. Deixou o cargo no mesmo dia em que o pai pediu exoneração do gabinete de Flávio. ­

A mulher de Queiroz, Marcia  Oliveira  de  Aguiar, exerceu cargo de consultora parlamentar do gabinete de Flávio, com  salário bruto de R$ 9.835,63, entre 02/03/07 a 01/09/17. Ao marido, o repasse em dinheiro foi de R$ 18.864,00, segundo o Coaf. Em transferências, o valor chegou a R$ 18,3 mil.

Na lista, há ainda três funcionários que aparecerem na última folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Rio disponibilizada no site da Casa, a de setembro deste ano. Queiroz recebeu de Raimunda Veras Magalhães, de acordo com o relatório, R$ 4,6 mil. Ela aparece na folha da Alerj com salário líquido de R$ 5.124,62.

Outro que ainda consta na folha é Jorge Luis de Souza, cujo salário líquido em setembro de 2016 foi de R$ 4.847,27. Segundo documento do Coaf, o depósito dele foi de R$ 3.140,00.

Agostinho Moraes da Silva, que aparece com salário líquido de R$ 6.787,49, fez depósito de R$ 800. Ao GLOBO, ele disse que trabalhou com Fabricio e que quando o ex-assessor "tirava serviço" para ele, ele pagava ao colega que fez o trabalho em seu lugar. Não explicou, no entanto, qual era o tipo de serviço. Afirmou ainda que "o resto vai ser esclarecido no inquérito". Flávio Bolsonaro, Queiroz e os assessores não são alvo de investigações. O Ministério Público Federal (MPF) ressaltou que a identificação de movimentação atípica do PM não configura um ilícito por si só.

Outro depósito, de R$ 3.542,00, veio de ­Luiza Souza Paes, que foi funcionária do gabinete de Flávio em 2012. Depois, ela exerceu outras funções na Alerj. Consta ainda transferências eletrônicas num total de R$ 7.684,00.

O relatório do Coaf aponta ainda que Queiroz recebeu transferência eletrônica de R$ 3,2 mil de Marcia Cristina Nascimento dos Santos, que, em fevereiro de 2016, aparecia na folha de pagamento da Alerj com um salário líquido de R$ 5.160.98.

De acordo com o documento do Coaf, Wellington  Servulo da  Silva, que aparecia na folha de fevereiro de 2016 com salário líquido de R$ 4.847,27, fez transferência num total de R$  1,5 mil.

O GLOBO não conseguiu contato com Queiroz e tenta contatos com as pessoas que fizeram depósitos para o ex-assessor.


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