Ariquemes (RO), 21 de fevereiro de 2020

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RO 14/02/2020 09:00 G1/RO - Postado por Izabella Coelho - DRT 1587/RO

Após protestos, surdos conseguem acordo para ver filmes legendados em cinema

Apesar da Lei de Acessibilidade exigir sessões inclusivas para PCDs, cinemas de Ji-Paraná não cumpriam com a determinação.

A Associação dos Surdos e Familiares conseguiu quebrar mais uma barreira social que impedia pessoas surdas e deficientes auditivos de terem mais acessibilidade cultural em Ji-Paraná (RO). Após quatro meses de manifestações públicas, a entidade participou de uma reunião com o Ministério Público Federal (MPF) e, no encontro, ficou acordado que o Cine Milani passará a exibir filmes com legendas todas as terças-feiras, às 19h.

A luta por acessibilidade vinha desde outubro de 2019, quando a comunidade realizou uma manifestação nos dois cinemas da cidade. Diante dos protestos, o Cine Laser voltou a apresentar filmes legendados na cidade.

Já o Cine Milani não exibia longas com legendas há mais de seis meses e, mesmo com as manifestações realizadas desde outubro, a empresa não acatou ao pedido da comunidade.

Por causa da negativa do cinema, a associação recorreu ao MPF para que o estabelecimento cumprisse com a Lei de Acessibilidade nº 10.098, prevista na Constituição Federal.

“Sabemos que a luta por inclusão não inicia e nem termina hoje, mas lutaremos constantemente e todos os dias para que a vida dos surdos e seus direitos sejam respeitados verdadeiramente”, declarou o presidente da associação, Ronaldo Veloso.

Apesar da conquista, a luta da comunidade por salas de cinema mais acessíveis ainda está longe de acabar.

O acordo firmado com o Cine Milani só garante dois meses de filmes legendados. Isso porque, para que os filmes sejam exibidos, é necessário que mais pessoas, além da comunidade surda, assistam as sessões legendadas.

 
Comunidade faz protestos há vários meses para ter direito a filme com legendas — Foto: Facebook/Reprodução

Comunidade faz protestos há vários meses para ter direito a filme com legendas — Foto: Facebook/Reprodução

Segundo a advogada Estefânia Marinho, membro da Comissão de Defesa do Portador de Deficiência da OAB/RO e voluntária da associação, ainda será feita uma campanha para conscientizar a população sobre a importância dos filmes legendados.

“Essa é uma luta que existe desde 2013 aqui na cidade. Foi travada pela comunidade surda para que seja honrado o direito de inclusão cultural.” relatou a advogada.

De acordo com a associação, a decisão deve beneficiar mais de duzentas pessoas surdas e deficientes auditivos. Uma nova reunião está prevista para acontecer logo no começo de abril, para avaliar a decisão e analisar os resultados.

Associação

Fundada em 2015 com o objetivo de unir e garantir o direito da população, a Associação dos Surdos e Familiares de Ji-Paraná ainda não possui uma sede própria e também não recebe auxílio por parte do governo, atuando de forma totalmente independente.

Ronaldo explica que decidiu criar a sociedade devido à grande quantidade de pessoas surdas vivendo na cidade e também nos distritos próximos. Funcionando ainda de maneira muito artesanal, a associação luta para que as barreiras de acessibilidade sejam quebradas e a inclusão dos surdos funcione de forma plena no município.

As salas de cinema com filmes mais inclusivos não são as únicas conquistas da comunidade. Em novembro de 2019, a associação conseguiu a autorização para criar um grupo com o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, devido a limitação dos surdos de realizar chamadas de áudio em situações de risco.

“Desde a sua criação, a associação vem realizando movimentos e atuando para acabar com as dificuldades de comunicação existente. Por exemplo, sempre que um estudante surdos está sem intérprete, nós buscamos ajuda com os órgão responsáveis para que o aluno não fique sem o auxiliar nas aulas”, informou o presidente.

A associação também realiza constantes reuniões com empresas da cidade, junto com o Ministério Público do Trabalho, para conscientizá-las sobre a importância e a vantagem de contratar trabalhadores surdos.

Associação recorreu ao MPF para conseguir filmes legendados — Foto: Facebook/Reprodução

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