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Crise na Venezuela 09/03/2019 14:50 www.youtube.com

Venezuela tem dia de protestos contra e a favor do regime de Maduro

As manifestações foram convocadas pelo presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó, e pelo presidente Nicolás Maduro, em meio ao agravamento da crise no país...

Opositores e apoiadores do regime de Nicolás Maduro foram às ruas neste sábado (9) para protestar na Venezuela, em meio ao agravamento da crise no país, que vive um problema de falta de energia em diversas regiões há várias horas.

Enquanto vários estados no país ainda sofrem com o apagão, que tem prejudicado inclusive hospitais venezuelanos, os opositores do presidente foram às ruas de Caracas para pedir sua renúncia e pedir melhores condições de vida. Houve confrontos com a polícia. É esperado ainda um pronunciamento de Juan Guaidó, líder da oposição e presidente autoproclamado, na manifestação.

Já os partidários de Maduro se reuniram para protestar contra o que vêem como um processo de "sabotagem" à Venezuela. Eles levaram cartazes com mensagens de apoio ao presidente.

Confrontos em protesto contra Maduro 

Juan Guaidó convoca protesto neste sábado (9) contra governo de Nicolás Maduro

Juan Guaidó convoca protesto neste sábado (9) contra governo de Nicolás Maduro

Quando os manifestantes começaram a se reunir para começar a manifestação, a polícia impediu a concentração, alegando que as pessoas poderiam protestar apenas em outra zona da cidade de Caracas. A polícia chegou a utilizar bombas de gás lacrimogêneo contra os participantes do protesto.

Além disso, três pessoas que carregavam estruturas para erguer uma plataforma no local foram detidas pela polícia, de acordo com a agência de notícias EFE. A plataforma seria utilizada para discurso do líder de oposição Juan Guaidó, presidente autoproclamado da Venezuela.

Policiais impedem avanço de manifestação contra Maduro em Caracas, na Venezuela — Foto: Carlos Jasso/Reuters

Em confrontos com policiais, os opositores de Maduro gritavam "fora", "assassinos", "sim, se pode" e "não tenho medo". Houve empurrões entre agentes e manifestantes. Uma idosa chegou a desmaiar, e foi carregada por policiais.

Em meio aos confrontos, no entanto, diversos participantes do protesto tentavam convencer os policiais a aderirem à manifestação contra o governo. “A polícia bate em nós, embora sofra da mesma calamidade”, disse à Reuters Lilia Trocel, que tem 58 anos e é comerciante. "Eu ainda não tenho energia e perdi parte da minha comida."

 
Manifestante é carregada por policial durante protesto contra Nicolás Maduro em Caracas, na Venezuela — Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersManifestante é carregada por policial durante protesto contra Nicolás Maduro em Caracas, na Venezuela — Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Manifestante é carregada por policial durante protesto contra Nicolás Maduro em Caracas, na Venezuela — Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Um manifestante disse a repórteres que Maduro é responsável pela grave crise econômica pela qual a Venezuela está passando, dizendo estar "cansada" de lidar com a emergência. "Fora, Maduro, não o queremos. Isso tem que acabar, já basta", afirmou, sem se identificar.

Manifestante protesta contra Maduro na Venezuela, em protesto na capital, Caracas — Foto: Ronaldo Schemidt / AFP

Outra manifestante disse à Reuters que protesta pela falta de remédios e serviços básicos, como luz e água. "Precisamos de liberdade, e isso diz alguém que era revolucionária e se cansou", afirmou emocionada.

Apoiadores de MaduroManifestante pró-Maduro leva cartaz com imagens de Hugo Chavez e Simon Bolívar. — Foto: Cristian Hernandez / AFP

Manifestante pró-Maduro leva cartaz com imagens de Hugo Chavez e Simon Bolívar. — Foto: Cristian Hernandez / AFP

Caracas também teve manifestações em apoio ao presidente venezuelano. Os participantes levaram cartazes com imagens do ex-presidente Hugo Chavez e de Simon Bolívar. "Contra o amor de Chavez não poderão", dizia um deles. A manifestação também teve a presença de representantes da milícia bolivariana venezuelana, que apoia Maduro.

Apoiadores de Maduro se manifestam na Venezuela — Foto: Cristian Hernandez / AFP

Apoiadores de Maduro se manifestam na Venezuela — Foto: Cristian Hernandez / AFP

Protesto a favor de Maduro em Caracas, na Venezuela — Foto: Cristian Hernandez / AFP

Protesto a favor de Maduro em Caracas, na Venezuela — Foto: Cristian Hernandez / AFP

Líderes convocaram manifestações

Em seu perfil no Twitter, Guaidó voltou a incentivar a manifestação neste sábado. "Acham que nos vão meter medo hoje, mas vão levar uma surpresa do povo e da rua", escreveu.

Juan Guaidó @jguaido
 
 

Creen que van a meternos miedo hoy, pero se van a llevar una sorpresa de Pueblo y de calle.
Pretenden jugar al desgaste, pero ya no tienen manera de contener a un Pueblo que está decidido a concretar el cese de la usurpación.
Y hoy lo vamos a demostrar en las calles. Atentos.

O presidente autoproclamado, reconhecido por cerca de 50 países, afirmou ainda que não é mais possível "conter um povo que está decidido a concretizar a interrupção da usurpação", em referência à permanência de Maduro na presidência.

Já Maduro usou sua conta no Twitter neste sábado para dizer que "os bolivarianos e bolivarianas erguem orgulhosamente a bandeira nacional com suas 8 estrelas, em conformidade com a vontade do Libertador Simón Bolívar".

Embedded video
Nicolás Maduro @NicolasMaduro
 
 

Los bolivarianos y las bolivarianas alzamos con orgullo el pabellón nacional con sus 8 estrellas, en cumplimiento de la voluntad del Libertador Simón Bolívar. Nuestra Bandera seguirá ondeando libre y victoriosa. ¡Que viva la Patria!

"Nossa bandeira continuará a voar livre e vitoriosa. Viva a pátria!", escreveu Maduro.

Apagão

O serviço de eletricidade começou a ser restabelecido aos poucos em Caracas e outras regiões da Venezuela, informou a agência France Presse, após um apagão de quase 24 horas que afeta todo o território, o pior já registrado no país.

No entanto, vários estados do país seguem sem luz há cerca 40 horas, segundo a agência EFE.

O governo de Maduro alegou que o apagão que ocorreu no país foi um "ataque" e culpou os Estados Unidos e seus aliados latino-americanos pelo caos no país.

O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, qualificou o apagão de "agressão deliberada" por parte dos Estados Unidos e anunciou uma "mobilização" da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), sem dar detalhes. "Uma agressão que sem dúvida foi preparada, deliberada e bem planejada, como sabe bem fazer o império americano", disse Padrino à TV.

Enquanto isso, organizações não governamentais denunciaram que a falta de fornecimento de energia e o mau funcionamento, ou a falta de geradores de emergência em hospitais públicos, provocaram, na sexta-feira, as mortes de um recém-nascido e de um adolescente de 15 anos em Caracas, informou a agência Reuters.

Pessoas usam celulares durante apagão em Caracas, no dia 7 de março — Foto: Matias Delacroix/AFP

Pessoas usam celulares durante apagão em Caracas, no dia 7 de março — Foto: Matias Delacroix/AFP

 

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